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Resenha: Mestre Madruguinha – Pra Onde A Gente Vai Agora?

Fato que tem se tornado bastante recorrente nos últimos anos, a estética do que se compreende como MPB ou rock não está mais em prateleiras diferentes. Isso se aprofunda ainda mais quando falamos em ritmos regionais, como no caso do disco de estreia do grupo sergipano Mestre Madruguinha, Pra Onde A Gente Vai Agora?.

De nome carismático (e música mais ainda), o hepteto formado por Adão Alencar (vocais, Percussão), Alex Macedo (percussão, handsonic), Alexandre Marreta (guitarra), Daniel Nanume (bateria, SPDX), Everton Mesquita (vocais, percussão), Ruan Levy (teclado, guitarra, sanfona) e Vinícius Chukro (baixo, programação, vocais) viaja por uma gama tão grande de influências que fica difícil encaixar sua música em um único universo, o que dá sentido ao título do disco, que vai dos ritmos regionais e latinos ao rock tipicamente brasileiro.

Tem música que casa com o Carnaval, tem música de baile. Tem música que cabe no Lollapalooza e tem até música para ouvir em casa, no fone de ouvido enquanto você lê um livro. Ao longo de 12 faixas, o Maestro Madruguinha brinca de fazer música, mas com uma seriedade de caberia numa orquestra, que é exatamente como funciona a dinâmica do grupo, dando espaço para cada música conduzir ritmos aparentemente disconexos entre si.

Lasciva, faixa que abre Pra Onde A Gente Vai Agora?, é um bom cartão de visita para o que vem pela frente. Ao melhor estilo Siba, o Maestro Madruguinha constrói uma sequência de faixas que insistem não repetir uma fórmula, mas que tem em comum o fato de fazer dançar. A caribenha Flor Cor de Rosa que o diga. Com uma guitarra que evoca toda atmosfera do calipso, mostra o tamanho da latinidade do grupo, oriundo do Sergipe, mas que desconhece qualquer fronteira para fazer música.

Mesmo em faixas mais introspectivas, como Seu cangote e Todo mundo doido é um chamego só, aquele fio que conduz ao ritmo é deixado de lado, assim como em Pessoa comum, um lamento cheio de groove.

São vários os pontos altos do disco, como em Contraluz e Veredas e Caminhos, mas especialmente em Liberta-me, ponto chave do disco, um pop com típico tempero brasileiro. E como tudo que nos remete a algo bom, Pra Onde A Gente Vai Agora? só poderia terminar de um jeito, com Carnaval, em Vamos abraçar o sol, faixa que remete diretamente à arte de capa do disco.

Financiado com recursos da Lei Aldir Blanc, o disco de estreia do Mestre Madruguinha faz jus a um legado cultural que banha nosso país. Esse país de ritmos e que não cansa de inovar, mesmo em um momento onde a cultura é cerceada. Com participações que passam por nomes como Chibatinha (ÀTTØØXXÁ) e Julico (The Baggios), o grupo sergipano é fruto desse tempo, mas que reverencia o passado de todos os lugares.

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Anderson Oliveira

Editor da Revista Som (www.revistasom.com.br) e do Passagem de Som, é formado em Publicidade e Propaganda com pós-graduação em Direção de Arte. Atualmente se aventura pela computação gráfica enquanto luta para completar sua coleção de Frank Zappa.